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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Epidemia Do Não Posso



Presidente: (entra muito preocupada) Não sei o que vou fazer, estou muito preocupada. Meu Mestre colocou sob a minha responsabilidade um grupo de pessoas, e agora todas estão atacadas por uma terrível doença : A epidemia do "NÃO POSSO". Passam as semanas e não ouço outra coisa: Não posso isso, Não posso aquilo. 

(as enfermas começam a entrar, todas desanimadas; a presidente começa a olhar para elas desesperada) 

Presidente: Ai, o que, que eu faço ? Jesus me ajude (pensativa)... Hum já sei !! vou consultar a Dra Fé, e espero que não seja tarde demais, (olhando para elas) porque se vocês não melhorarem, a nossa União Feminina estará arruinada. 

(ela vai até o outro lado com as enfermas. Ela terá que empurrar, puxar, se esforçar que elas saiam dos seus lugares, elas são recebidas por uma enfermeira)

Enfermeira: Bom Dia, em que posso ajudá-las ? 

Presidente: Bom Dia, olha, eu preciso consultar a Dra Fé. Quer dizer, eu não, elas precisam. Ela pode atendê-las ? São casos de emergência. 

Enfermeira: Entendo, esperem aqui. Vou anunciá-la. (Ela pega no telefone) Dra Fé, temos aqui um caso de emergência, um caso não, vários. Ok, tudo bem. (falando para a Presidente): Ela está vindo. 

(Dra Fé sai da porta) 

Dra Fé: Bom Dia senhoras, em que posso ajudá-las ? 

Presidente: Oi Dra Fé, que alegria em vê-la. Estou muito aflita. Estas senhoras são da União Feminina e foram atacadas pela terrível doença do "NÂO POSSO". 

Dra Fé: Percebo os desânimos, o estágio da doença está avançada mesmo. Enfermeira, por favor pegue meus equipamentos, todos, todos. 

Enfermeira: Sim, senhora Dra Fé. 

Dra Fé: Quantos casos já foram constatados ? 

Presidente: Vários. Algumas irmãs estão em grau mais avançados, precisam ser remediadas urgentemente. 

Dra Fé: Sim, eu entendo, vamos começar, me traga a primeira. (a Dra senta na mesa) 

Presidente: Irmã Preguicildes por favor venha até aqui, para que a  Dra possa te examinar. 

Irmã Preguicildes: Não posso.. ( com moleza e bocejando) 

Enfermeira: (indo até ela e a ajudando a vir): Eu vou ajudá-la. 

Dra Fé: Olá Irmã Preguicildes, qual é o seu caso ? 

(a Dra vai até ela: coloca o termômetro, toma o pulso, ouve o coração , enquanto Irmã Preguicildes fala) 

Irmã Preguicildes : Não posso desenvolver atividade nenhuma que é colocada sob minha responsabilidade. Quando vou lecionar a lição da Escola Dominical, ou dirigir qualquer reunião, preciso ler todos os pontos da revista porque não consigo guardar nada na mente. Ai, me deu até preguiiça de contar tudo isso. 

Dra Fé (já se sentando e começa a escrever): O seu coração está bastante fraco, pulso lento, temperatura baixa. Há uma fraqueza espiritual geral em você. Vou te passar uma receita, e tenho certeza que se você seguí-la irá se recuperar. Mas leia antes, para que em caso de alguma dúvida você possa já me perguntar. (ela entrega a receita) 

Irmã Preguicildes : Tá, tudo isso ? ai que preguiça... (lendo a receita) A um grama de PODER acrescenta-se meia hora de Estudo e uma pitada de INTERESSE pelo trabalho, misturando-se ainda uma boa quantidade de ORAÇÃO. Toma-se esta infusão logo que lhe seja dada qualquer responsabilidade na igreja e repita a dose sempre que for preciso... (sai cansada e lendo o resto)

Dra Fé: A segunda paciente. 

(Enfermeira indo buscá-la) 

Presidente: Dra, este caso é complicado, Irmã Nésia, venha até aqui por favor. 

Dra Fé: E você ? O que tem ? 

Irmã Nésia: Eu não consigo me lembrar de ler a Palavra de Deus todos os dias. 

Dra Fé: (dando um frasco de remédio a ela). Tenho aqui este medicamento, já pronto. Pois este seu caso é muito conhecido, tem aparecido muito em meu consultório. Este esquecimento provém da ignorância das necessidades da alma. Você está com fraqueza espiritual, e isso acontecerá com o seu corpo. Se você não se alimentar na hora certa e na quantidade suficiente, você ficará fraca a cada vez mais. Este remédio despertará em você o desejo de ler a Palavra de Deus e de ser uma imitadora dEle. Tome uma dose diariamente. Ok? 

Irmã Nésia: Hum... ai, esqueci tudo que você falou... mas vou ler o que está escrito no frasco, muito obrigada ( irmã Nésia sai.) 

Dra Fé: Irmã, traga a terceira paciente. 

Presidente: Ah, sim, sim. Irmã Linguagilda vamos a Dra está te chamando. 

(irmã Linguagilda não para de conversar com as outras irmãs e não presta a atenção) 

Presidente: Irmã Linguagilda, por favor pare por um instante. Enfermeira, por favor vá buscá-la. 

Linguagilda: Estou indo, estou indo, que bom, serei consultada, não aguento mais este problema, mas agora chegou a minha vez, e eu vou ser curada, porque eu preciso ser curada.... 

Dra Fé: Ok, ok, pare apenas um momento para que eu converse com você. 

Linguagilda: Sim, sim. A Dra quer saber o que eu tenho né ? Pois bem, eu sou a Linguagilda, eu vou te dizer o que eu tenho. Não posso ficar quieta e nem prestar atenção no culto. Tenho muita vontade de conversar. Distraio-me com qualquer coisa. Falo muito e viro-me para trás, toda hora, e não consigo parar, já me disseram que eu tenho o dom de línguas, mas eu não entendo o por quê... 

Dra Fé (interrompendo-a e examinando a língua, coloca uma fita crepe em sua boca) : Hum... esse é um dos sintomas mais graves (voltando ao seu assento e escrevendo a receita) desta terrível enfermidade. Mas, infelizmente tenho tratado de vários casos semelhantes ao seu. Olhe, aqui está a sua receita. Leia antes, para que eu tire suas dúvidas. 

(Enfermeira vai até ela e tira a fita da sua boca) 

Linguagilda (lendo a receita): Mistura-se uma boa quantidade de Reverência ao nome de Deus com uma quantidade dobrada de Amor à Cristo e à sua obra de redenção, acrescentando uma boa dose de Consideração. Cada vez que você que não vai conseguir ficar quieta no culto, tome uma medida deste medicamento, e isto lhe ajudará a estar atenta e lhe dará a consciência de que o Senhor está no seu Santo Templo, fazendo-a compreender que você não tem o direito de perturbar aqueles que desejam prestar um culto a Deus. 

Dra Fé: Alguma dúvida ? 

Linguagilda (cabisbaixa): Não Dra, está bem claro, até logo e muito obrigado. 

Presidente: Ouviu né irmãzinha, vou buscar a próxima paciente.... Irmã Dindin venha por favor. 

Dra Fé: E a você? O que está acontecendo ? 

Irmâ Dindin: Não posso contribuir para minha igreja. Recebo meu pagamento, pago minhas dívidas e prestações. Compro coisa nova para mim e, quando vejo, o dinheiro acabou eu não tenho mais como contribuir. O dinheiro voa. 

Dra Fé (examina as vistas): Oh! Tenho tido muitos pacientes com este mesmo sintoma. Vamos examinar o alcance da visão. (A Dra mostra alguma coisa que está distante. A paciente diz sempre que não está enxergando). Trata-se de uma miopia espiritual. Há várias coisas que dão origem a esta enfermidade: algumas vezes é o egoísmo, (escrevendo a receita) outras vezes a indiferença ou, ainda, a ignorância das necessidade do mundo sem Cristo e sem o conforto de sua salvação. Esta receita irá ajudá-la. 

Irmã Dindin: Ainda bem que é de graça né ? Porque eu estou meio sem dinheiro, é a crise sabe...(lendo a receita): Toma-se com regularidade, um comprimido do mandamento de Deus: o de DAR, no mínimo, a décima parte do que ganha para o sustento de sua obra, acompanhado de uma boa dose de Oração fervorosa, para que possa estar disposta a fazer a Sua vontade. Acrescenta-se ainda uma boa quantidade de Visão das necessidades do mundo. A esta, a Visão, misturam-se algumas pitadas de disposição para renunciar ao comodismo, conveniências e interesses pessoais, a fim de poder colocar sua vida, seus talentos e bens ao serviço de Deus. 

Presidente: Dra, muito obrigado pelas suas receitas, estou certa de que esta terrível epidemia será derrotada muito em breve. 

Dra Fé: É irmã, será sim, se elas colocarem em prática o que está escrito, logo logo todas estarão curadas. Tenha um ótimo dia. 

Presidente: Obrigada. Tenha também um ótimo dia. Tchau 

(todas entram) 

Narradora: Algum tempo depois (elas vão entrando com um cartaz escrito: EU POSSO) 

Todas: Tudo posso 
Ainda que seja odiada - Poderei Amar 
Ainda que eu esteja triste - Poderei sorrir 
Ainda que as dúvidas me assaltem - poderei confiar 
Ainda que as lutas sejam duras e difíceis - poderei vencer 
Ainda que tudo ao redor sejam dificuldades, poderei perseverar até o fim ‘PORQUE TUDO POSSO EM CRISTO QUE ME FORTALECE" 

Irmã Preguicildes: Queria Presidente, temos tomado os medicamentos que a Dra Fé nos deu. E estamos completamento renovadas. Nunca mais voltaremos a dizer "NÃO POSSO" , não é verdade irmã? 

(ELA VIRA O CARTAZ ONDE ESTARÁ ESCRITO : "TUDO POSSO" )

Irmã Nésia: Agora, quando alguém nos pedir algumas coisa para fazermos para Deus, iremos dizer : Sim, eu posso ! 

(ELA VIRA O CARTAZ E ESTARÁ ESCRITO: "NAQUELE" )

Irmã Linguagilda: É estamos sim, curadas, e felizes, porque somos renovadas, e estamos dispostas a fazer muitas coisas, agora estamos remediadas. Eu continuo falando, mas minha língua agora pertence a Deus, e falo muito para o nome dele !! 

(ELA VIRA O CARTAZ E ESTARÁ ESCRITO: "QUE ME " )

Irmã Dindin: O lema do nosso grupo agora será : (ELA VIRA O CARTAZ E ESTARÁ ESCRITO: "FORTALECE") 

(todas juntas) TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE 

Presidente: irmãs, fico feliz em vê-las assim, e tenho certeza que Deus também. Temos muito trabalho para fazer, vamos irmãs, vamos trabalhar para o Senhor, com muita alegria, disposição e sabedoria. 

(todas saem dizendo eu posso, vamos fazer)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A LÍNGUA



 


Peça cômica sobre a fofoca.

Duas mulheres, membros de uma igreja evangélica, travam um diálogo para lá de maledicente, contaminando outros membros com suas línguas afiadas para o mal.

Envolvidas com as fofocas deixam de prestar atenção ao culto que teve como tema da mensagem justamente o problema que as acometia: “aquilo que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra por ela”.

 
Personagens:
Lúcia –
Carmem –
Irmã Laura – 
Irmão Salomão –
Menina –
Maquiagem:
Cenário:
*Duas cadeiras de igreja,
*Uma porta de banheiro, que pode ser feita de TNT, escrito “BANHEIRO” em cima.
Efeitos sonoros:
*Gravação de levitas testando os microfones (início);
*E outra gravação dando a benção apostólica (final); e
*gravação da vinheta “Hebert Richard”.
 
ABERTURA:
(A CIA DE TEATRO ABNER, INFORMA):
Esse texto é totalmente fictício, e não quer retratar a realidade de nenhuma igreja.
(“ VERSÃO BRASILEIRA HEBERT RICHARD” )

(Entram conversando: “Cacos”, quando sentarem, começam o texto )
Carmem – Por que você não veio pra escola dominical hoje, hein?
Lúcia – Irmã, eu tava tão cansada,mas tão cansada, que acabei perdendo a hora.
Carmem – Já achou?
Lúcia – O quê?
Carmem – A hora mulher! Tu é muito lenta visse?!
Lúcia – Veio muita gente?
Carmem – É! Veio! Eu e mais quatro irmãos.
Lúcia – Mas irmã Carmem, meu filho tá me dando tanto trabalho.
Carmem – É? Por quê?
Lúcia – Ele tá de chamego com uma menina que não é pra ele, ela não é crente e fica levando ele pra sair, pra balada como eles dizem.
Carmem – Mas ele estava tão bem na igreja, fazendo amizade com todo mundo.
Lúcia – Pois é, mas depois que conheceu essa mulher na faculdade, esfriou. E o pior: é mais velha que ele 20 anos.
Carmem – Misericórdia! Ela vai criá-lo, é?
Lúcia – Não é hora de brincadeiras! Preciso que ore por ele.
Carmem – Claro! Desculpe, saiu sem querer. Vou orar sim. Mas se a igreja ficar sabendo, já viu. Tem tanta gente que gosta de uma fofoca...
Lúcia – Mas você não vai contar a ninguém, vai?
Carmem - Eu? Claro que não! Minha boca é um túmulo! Não sou de fofocas.
Carmem – Eu vou orar por ele. Mas Lúcia, mudando de assunto, você já tá sabendo da novidade?
Lúcia – Não! Me diz logo, antes de começar o culto.
( GRAVAÇÃO I )
Carmem – Minha filha vai casar!
Lúcia - Mas já! Tão depressa! Só está namorando há 5 anos e é noiva há 1! É muito pouco tempo, você não acha?
Carmem – Não! Está na hora certa.
Lúcia – Quando vê esses casamentos às pressas, pode ter certeza. É buxo! (fala pro lado em tom de pensamento,enquanto Carmem olha pro lado)
Carmem – Hã! O que disse? Não ouvi!
Lúcia – Não, nada! Estava pensando alto. Que Deus abençoe os dois, né?
Carmem – Amém! Estou tão ansiosa pra ser avó!
Lúcia – Não disse?! Tinha certeza. Está se casando grávida.(fala olhando pro lado novamente). Irmã, vem cá! Ela vai se casar de branco?
Carmem – Claro! Minha filha é vigem, Lúcia! Ponho minha mão no fogo por ela! Ai!
Lúcia – Que foi? Se queimou?(com ar irônico)
Carmem – Não! Deu cãibra na minha perna! 
Lúcia – Há bom! Menos mau.
Carmem – O louvor já vai começar Vou ao banheiro, já volto. Guarde meu lugar!
Lúcia – Está bem vá, mas volte logo. Se não vão dizer que você esta passeando pela igreja antes do culto.
Carmem – Está bem!
(Nessa hora, a cena se divide em dois pontos: um com Carmem e outra pessoa que ela encontrou quando foi ao banheiro; outro com Lúcia e irmã Laura.)
Lúcia – Oi minha querida, a paz! Senta aqui quero te contar uma coisa.
Irmã Laura – Mas esse não é o lugar da irmã Carmem?
Lúcia – É! Mas sabe como é, né?! Ela fica passeando o tempo todo! Ela disse que já, já, ela volta.
Irmã Laura – Mas me diga. O que você queria me contar?
Lúcia – Não diga a ninguém que lhe contei, mas a filha da irmã Carmem,sabe?
Irmã Laura – Sei, o que que tem?
Lúcia – Está grávida! E vai se casar às pressas. Foi a própria mãe quem me contou.
Irmã Laura – Irmã! Que escândalo! Ela me parecia ser uma moça tão direita.
Lúcia - Pois é. Ficou esquerda. Colocou a carroça na frente dos bois. 
Irmã Laura – Estou passada! Imagine quando toda igreja ficar sabendo?!
Lúcia – Não! Ninguém vai saber! Você não vai contar, vai? E minha boca é um túmulo! Não gosto de fofocas. Misericórdia!
Irmã Laura – Eu vou pro meu lugar que vai começar o culto. E a irmã Carmem tá voltando.
Lúcia – Até mais! A paz!
(escurece o lado de Lúcia e Irmã Laura e acende a luz para o lado de Carmem e outra pessoa na porta do banheiro)
Irmão Salomão – Oi, irmã Carmem! A paz do Senhor! Vai ao banheiro?
Carmem – A paz! Vou sim, mas irmão já soube da nova?
Irmão Salomão – Não me diga, irmã. O que foi?
Carmem – Eu soube que o filho da irmã Lúcia esta se envolvendo com uma mulher mais velha do que ele.
Irmão Salomão – Sim! E o que é que tem?
Carmem – Como “o que é que tem”? Ela é casada e tem três filhos.
Irmão Salomão – Misericórdia! Foi isso que lhe disseram?
Carmem – Bem, me disseram que era mais velha, mas o resto é fácil de deduzir, né?!
Irmão Salomão – Mas irmã, que escândalo!
Carmem – Pois é. Mas deixa eu ir, que senão vão falar que estou de fofoca com o senhor, e o senhor sabe que não gosto de fofocas, longe de mim falar dos outros. A paz! Até mais !
(Volta pra cadeira, se senta e pergunta:) 
Carmem – O que estava conversando com irmã Laura?
Lúcia – Mulher, deixa esse costume de querer saber da vida do povo! Que coisa feia! Ela só tava me contando que a filha de uma amiga dela casou grávida, imagine você?!
Carmem – Ainda bem que minha filha tem juízo e não me decepcionou nesse ponto!
Lúcia – (à parte) Coitada ainda nem sabe!
Carmem – O que você disse?
Lúcia – Disse que o louvor vai tocar agora. Tu ta ficando môca, visse! Deve ser a idade! 
Carmem – Misericórdia! Lúcia, olha a irmã. Veio quase pelada! Isso é tamanho de saia?! 
Lúcia – E o pastor num diz nada. É uma pouca vergonha!
Carmem – Já, já, as irmãs vão estar vindo só de biquíni pra igreja
Lúcia – Eu num duvido nada... Esses jovens não têm respeito por nada mesmo...
(apontando pra frente e usando de fé cênica, veem um casal conversando)
Carmem – Menina, pelo amor de Deus. Aqueles dois não param de conversar um minuto.
Lúcia – E não sei que tanto assunto é esse. 
Carmem – Quando termina o culto, você nem imagina o que eles fazem! Ficam no maior agarra-agarra na porta da casa dela. Só faltam derrubar o muro.
Lúcia – Misericórdia! Não me diga isso, a mãe dela me parecia ser uma pessoa tão crente... E permite um despautério desses na porta de casa?
Carmem – Pra você vê! As aparências enganam.
Lúcia – Olha, o grupo de dança vai se apresentar.
Carmem – Espero que dessa vez elas se apresentem com roupas mais descentes, por que da ultima vez dava pra ver até o calcanhar! 
Lúcia – Foi mesmo?! Que pouca vergonha! E pastor num disse nada?
Carmem – Nadinha, minha filha. Nadinha! Bateu palmas e tudo!
Lúcia – Menina, tu assistiu a última peça que o teatro apresentou?
Carmem – Não!
Lúcia – Pois não perdeu nada. Outro despautério! Você nem vai acreditar no que eles fizeram!
Carmem – Me diga logo, pois já estou ficando intoxicada de tanta curiosidade. Não que eu seja curiosa, mas quando o assunto é interessante... Me diz logo, mulher!
Lúcia – Vestiram os meninos de mulher dentro da igreja, com tantas meninas no teatro. Agora me diga pra que? Me diga?
Carmem – É o fim do mundo! Que coisa horrível! E o pastor fez o quê?
Lúcia – Ria, ria e ria, mais que todo mundo.
Carmem – Vou falar com a esposa dele. Ela não deve estar gostando desses despautérios.
( GRAVAÇÃO II )
Lúcia – Menina, o culto já acabou?
Carmem – Já ! Também, o culto é só louvor. A palavra que é mais importante fica com 20 min. 
Lúcia – O pastor pregou sobre o que, hein?
Carmem – Nem sei, visse! Pergunta a essa adolescente aí!
Lúcia – Ei, a palavra foi sobre o quê hoje, minha filha?
Menina – Irmãs, a palavra falou acerca da língua! O que mata não é o que entra pela boca , mas o que sai dela! 

( Black-out)
FIM
Igreja- Betel Brasileiro João Pessoa -PB no bairro da Torre

Cia de Teatro ABNER